Edição 01

 NaanDanJain em Foco

Por uma

nova história

 

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 Palavra do Presidente
 

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 Drauzio Varella

Síndrome

do pânico 

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 Clóvis de Barros Filho

Qual a vida que vale a pena ser vivida? 

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 Enquete

Responda nossa enquete e ajude a tornar o mundo um lugar melhor para se viver! 

 Mundo Virtual

Pequenos a salvo

na web 

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 Fernanda Maranha

A importância das vacinas 

Paulo Pio

Planejamento financeiro para pais e filhos

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Jornalismo

Educativo

Vídeos e

Conteúdos

 

 

Palavra do Presidente

Editorial

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Alfredo Mendes
Gerente Geral NaanDanJain Brasil & Suporte América do Sul

Prezados colaboradores,

O Brasil e o mundo passam por importantes mudanças estruturais, econômicas e sociais. A cada segundo, paradigmas são quebrados, modelos usados no passado deixam de existir e novos desafios se apresentam nessa era da informação, da mudança dos costumes e da efemeridade das situações cotidianas. Acordamos com o novo todos os dias e precisamos estar atentos para aprender sempre.

O saber nunca deve perder espaço em nossas vidas.

Diante deste cenário, temos a certeza de que instrumentos que promovam uma educação de qualidade, voltada para valores éticos e de respeito à cidadania, precisam se fortalecer como uma missão coletiva que envolva a todos, deixando claro o papel de cada um na formação de cidadãos cientes de suas responsabilidades, direitos, capacidades e limitações.

Por essa razão, tenho a satisfação de comunicar que a NaanDanJain firmou uma parceria com o projeto Capital Humano. O foco é promover condutas, atitudes e valores que provoquem mudanças na sociedade e contribuam na construção de estilos de vida saudáveis, plantando uma semente positiva dentro do mais importante alicerce na vida do indivíduo: a família.

Nesta edição, textos de renomados autores abordam assuntos e situações recorrentes no cotidiano de todos nós. Nosso desejo é focar a atenção às famílias dos colaboradores e fazer com que essas informações possam ajudá-los na melhoria de sua qualidade de vida.

Com a educação e a confiança fortalecendo a parceria entre empresa e família, temos a convicção de que será possível auxiliar na construção de uma sociedade cada vez mais justa e, assim, ajudar o mundo a se tornar um lugar melhor para se viver.

Nós, da NaanDanJain, desejamos uma excelente leitura e esperamos que o projeto Capital Humano proporcione momentos de reflexão e aprendizado para todos!

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NaanDanJain em Foco

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NaanDanJain apoia Instituto Padre Haroldo no trabalho de recuperação de dependentes químicos a partir do resgate e manutenção da dignidade humana

A base do crescimento expressivo e contínuo da NaanDanJain Brasil, que vem ocorrendo ano após ano, possui inúmeros fundamentos, dentre os quais o compromisso com o desenvolvimento social e o respeito às pessoas está presente na missão da empresa de “Deixar este mundo melhor do que o encontramos”.

Sob esse aspecto, a NaanDanJain entende e valoriza as questões e os problemas sociais ao seu entorno e apoia o progresso da sociedade por meio de parcerias que geram valor compartilhado, crescimento inclusivo e consciência social, em uma visão holística de seus negócios.

Dessa forma, NaanDanJain e a Instituição Padre Haroldo Rahm (IPH), entidade filantrópica que atua nas políticas de Assistência Social e Saúde na região de Campinas-SP, com o objetivo de  promover a inclusão social com dignidade a pessoas que estão em situação de pobreza, vulnerabilidade social ou de saúde, firmaram uma parceria em uma ação conjunta no uso da tecnologia de irrigação como ferramenta de reabilitação e inclusão social de dependentes químicos, a fim de potencializar as boas condutas da Instituição em conjunto com práticas agrícolas sustentáveis.

Com o propósito do retorno ao convívio social e da restituição da vida saudável em comunidade, a doação do kit +Horta Gotejamento pela NaanDanJain possibilita, além do aumento da produtividade das hortaliças que abastecem a cozinha da Comunidade Terapêutica, a realização de uma atividade que auxilia na recuperação dos assistidos por meio do contato direto, seguro e educativo com as plantas e o meio ambiente.

Sobre o IPH

Entidade filantrópica fundada em 1978, o Instituto Padre Haroldo está em atividade há mais de 40 anos e presta atendimento a populações em situação de pobreza e risco social e de saúde, oferecendo, em quatro eixos de trabalho e 13 serviços distintos, atividades de Prevenção e Educação Social, Recuperação de pessoas com transtorno por uso de substâncias, Acolhimento Residencial e ações de Fomento de Trabalho e Renda.

Já beneficiou, desde a sua fundação, cerca de 100 mil pessoas em situação de vulnerabilidade e risco social. Atualmente, o IPH beneficia, mensalmente, mais de 2.500 pessoas entre bebês, crianças, adolescentes, jovens, adultos, gestantes e famílias.

Instalação do Kit +Horta Gotejamento na Fazenda do IPH.

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“A primeira crise pode ocorrer em qualquer idade, mas costuma manifestar-se na adolescência ou no início da idade adulta, sem motivo aparente.”

É médico cancerologista formado pela USP e escritor consagrado. Um dos profissionais mais queridos e conceituados do Brasil. Na Rede Globo, participa de séries sobre o corpo humano, primeiros socorros, gravidez, combate ao tabagismo, planejamento familiar, transplantes e diversas outras, exibidas no Fantástico.

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Drauzio Varella

 

A síndrome ou transtorno do pânico (ansiedade paroxística episódica) é uma doença que se caracteriza pela ocorrência repentina, inesperada e de certa forma inexplicável de crises de ansiedade aguda, marcadas por muito medo e desespero, e associadas a sintomas físicos e emocionais aterrorizantes, que atingem sua intensidade máxima em até dez minutos. Durante o ataque de pânico, em geral de curta duração, a pessoa experimenta a nítida sensação de que vai morrer, ou de que perdeu o controle sobre si mesma e vai enlouquecer. 
A primeira crise pode ocorrer em qualquer idade, mas costuma manifestar-se na adolescência ou no início da idade adulta, sem motivo aparente. O episódio pode repetir-se, de forma aleatória, várias vezes no mesmo dia ou demorar semanas, meses ou até anos para surgir novamente. Pode também ocorrer durante o sono. Não fazer a menor ideia de quando, ou se a crise vai acontecer, gera um estado de tensão e ansiedade antecipatórias, o que propicia o desenvolvimento de outras fobias. A mais comum é a agorafobia, distúrbio de ansiedade marcado pelo temor de encontrar-se em espaços abertos com muita gente ou em lugares fechados, dos quais o portador da síndrome não possa sair se tiver um ataque de pânico.
O transtorno do pânico atinge mais as mulheres do que os homens. Atribui-se essa frequência maior no sexo feminino à sensibilização das estruturas cerebrais pela flutuação hormonal, visto que a incidência de pânico aumenta no período fértil da vida.

Causas
Ainda não foram perfeitamente esclarecidas as causas do transtorno do pânico, mas acredita-se que fatores genéticos e ambientais, estresse acentuado, uso abusivo de certos medicamentos (anfetaminas, por exemplo), drogas e álcool possam estar envolvidos.

 

Diagnóstico 
O diagnóstico do transtorno do pânico obedece a critérios definidos no DSM-5, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais. Uma crise isolada ou uma reação de medo intenso diante de ameaças reais não constituem eventos suficientes para o diagnóstico da doença. As crises precisam ser recorrentes e provocar modificações no comportamento que interfiram negativamente no estilo de vida dos pacientes.
É muito importante estabelecer o diagnóstico diferencial com outras doenças que apresentam sintomas semelhantes, tais como ataques cardíacos, hipertireoidismo, hipoglicemia ou epilepsia.

 

Tratamento 
O tratamento do transtorno do pânico inclui a prescrição de medicamentos antidepressivos (tricíclicos ou de nova geração) e psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, que utiliza a exposição a situações que provocam pânico de forma sistemática, gradual, controlada e progressiva, até que ocorra a dessensibilização diante do agente agressor. Geralmente, a medicação precisa ser mantida por períodos mais longos e descontinuada progressivamente por causa do risco de recaídas.

 

Recomendações 

Sintomas físicos da doença podem ser confundidos com sinais característicos de infarto. Caso se descarte uma ocorrência cardíaca, o transtorno pode ser uma suspeita;

Pratique exercícios físicos. Algumas das sensações que eles provocam são semelhantes às da síndrome do pânico – batimentos cardíacos acelerados e sudorese –, mas em um contexto agradável, que ajuda a tirar a identificação negativa;

Não se automedique nem recorra ao consumo do álcool ou de outras drogas para aliviar os sintomas. Em vez de resolver um problema, você estará criando outros;

Procure assistência médica. O transtorno do pânico é uma doença como tantas outras. Quanto antes for diagnosticada, melhor será a resposta ao tratamento.

 

 

Perguntas frequentes 


Como ajudar alguém que está tendo um ataque de pânico?
Para ajudar uma pessoa que está passando por uma crise de pânico, controlar a respiração é uma das armas principais. Oriente-a a se concentrar na respiração e a respirar mais lentamente.

Pergunte se ela toma algum medicamento para crises agudas de pânico (em caso positivo, você pode ajudá-la a tomar nessa hora). Se possível, leve-a para um ambiente mais calmo e tranquilo.
Mude o foco dela para o momento presente (uma dica é focar em objetos que ela pode ver e tocar).
Converse de maneira acolhedora e jamais minimize o sofrimento dela. Não diga coisas como “isso só está na sua cabeça” e sim frases como “eu sei que você está aflito, mas vai passar, eu estou aqui com você e vou te ajudar”. Especialmente se for o primeiro ataque de pânico, é importante buscar atendimento médico.

 

É possível prevenir um ataque de pânico?
Sim, existem medicamentos que podem ser utilizados antes de situações que normalmente geram desespero no paciente com síndrome do pânico. Por exemplo, se você sente pânico sempre que precisar viajar de avião, pode tomar um remédio antes de embarcar para evitar a crise. Mas é importante seguir sempre a recomendação médica.

 

Como diferenciar um ataque de pânico de um ataque cardíaco?
Tanto o ataque de pânico quanto o ataque cardíaco podem provocar dor no peito, taquicardia, faltar de ar, náuseas, sudorese, entre outros sintomas. Mas apesar das características semelhantes, existem diferenças. No ataque cardíaco, a pessoa geralmente sente uma dor opressiva na região do tórax que pode irradiar para mandíbula, ombros ou braços (mais frequentemente, do lado esquerdo), além de poder ter um ardor no peito que pode ser confundido com azia. 


Já no ataque de pânico, as dores podem se espalhar pelo tórax e pescoço, mas não provocam a sensação de pressão. Além disso, o paciente sente um desespero muito grande, tem medo de morrer e a visão da realidade é distorcida, não conseguindo diferenciar o que é ou não real. Também pode haver sinais como sensação de sufocamento, tontura ou vertigem e ondas de calor e calafrios, menos frequentes em caso de infarto.

Geralmente, o tratamento dura entre seis meses e um ano. Os benefícios demoram algumas semanas para aparecer, mas sentir melhora não deve ser justificativa para interromper o tratamento, pois o risco de recidiva é grande. As crises podem voltar mesmo depois de muitos anos. Parar o tratamento só é indicado mediante indicação dos especialistas que acompanham o caso.

Recomendações 

Sintomas físicos da doença podem ser confundidos com sinais característicos de infarto. Caso se descarte uma ocorrência cardíaca, o transtorno pode ser uma suspeita;

Pratique exercícios físicos. Algumas das sensações que eles provocam são semelhantes às da síndrome do pânico – batimentos cardíacos acelerados e sudorese –, mas em um contexto agradável, que ajuda a tirar a identificação negativa;

Não se automedique nem recorra ao consumo do álcool ou de outras drogas para aliviar os sintomas. Em vez de resolver um problema, você estará criando outros;

Procure assistência médica. O transtorno do pânico é uma doença como tantas outras. Quanto antes for diagnosticada, melhor será a resposta ao tratamento.

Sintomas da síndrome

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O ataque de pânico começa de repente e apresenta pelo menos quatro dos seguintes sintomas:
Medo de morrer;
Medo de perder o controle e enlouquecer;
Despersonalização (impressão de desligamento do mundo exterior, como se a pessoa estivesse vivendo um sonho) e desrealização (distorção na visão de mundo e de si mesmo que impede diferenciar a realidade da fantasia);
Dor e/ou desconforto no peito que podem ser confundidos com os sinais do infarto;
Palpitações e taquicardia;
Sensação de falta de ar e de sufocamento;
Sudorese;
Náusea;
Desconforto abdominal;
Tontura ou vertigem;
Ondas de calor e calafrios;
Adormecimento e formigamentos;
Tremores, abalos e estremecimentos.
Com frequência, portadores da síndrome do pânico apresentam quadros de depressão. 

Em alguns casos, busca-se no alcoolismo uma saída para aliviar as crises de ansiedade.

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Clóvis de Barros Filho

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Conheça um pouco mais das opiniões do professor Clóvis de Barros Filhos sobre o amor, a felicidade e as coisas imprevisíveis da vida.

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Nascido em Ribeirão Preto (SP), Barros é mestre em ciência política pela universidade de Sorbonne e doutor em ciências da comunicação pela USP. Desde o começo de sua carreira, quando formou-se em jornalismo e direito, ambicionava ser professor. Foi docente em instituições de prestígio como ESPM, Mackenzie, Cásper Líbero e a própria USP. Hoje, atua como um dos coordenadores do Espaço Ética, tendo feito mais de 1.800 palestras no Brasil inteiro.

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Famoso por suas palestras com reflexões sobre temas comuns ao nosso dia a dia, como o amor, a liberdade e a confiança, o professor Clóvis de Barros Filho gosta de rejeitar os títulos de filósofo e pensador que são constantemente atribuídos a ele: “Todos os humanos são pensadores. Na verdade, se olharmos bem, até alguns animais podem ter esse título. Ou seja, quem sou eu para afirmar ser mais pensador ou filósofo do que um orangotango ou um caranguejo?”.

Foi com essa dose de reflexão e bom-humor que o professor Clóvis recebeu a equipe da Pais Atentos para uma conversa sobre a mais universal das perguntas: “Qual a vida que vale a pena ser vivida?”. Confira a seguir:

Pais Atentos: Todos os dias somos bombardeados por estímulos que pregam a necessidade de sermos o tempo inteiro felizes. Afinal, existe algum segredo para alcançar a felicidade?

Professor Clóvis de Barros: Eu não seria prepotente de dizer que não há segredo para ser feliz. Afinal, há milênios o ser humano descobre coisas novas. Prefiro dizer que, na minha opinião, não existe segredo para a felicidade.

A palavra “segredo” pressupõe algo restrito, que apenas algumas pessoas sabem e outras desconhecem totalmente. Pois bem, a felicidade é algo tão buscado que com certeza, se alguém descobrisse alguma fórmula mágica, o mundo inteiro saberia do fato em menos de 30 segundos, graças aos novos meios de comunicação. O que de fato existe hoje são “supostos” segredos, que na verdade, por já terem sido vendidos, não são mais mistério para ninguém, e se de fato funcionassem, a tristeza do mundo teria sido erradicada.

 

PA: Então se o segredo da felicidade de fato não existe, qual o significado dessa busca?

CB: Quem pergunta qual o segredo da felicidade quer na verdade saber se existe alguma forma prática de garantir esse bem-estar. Vamos imaginar, por exemplo, que para ser feliz é preciso ficar 30 segundos dando cambalhotas todos os dias. Bem, eu com certeza faria esse esforço em troca de um bem estar infinito. 

Porém, se olharmos para nós mesmos e para o mundo chegamos à conclusão de que não erradicamos a tristeza. Acreditamos muito que a felicidade pode ser conseguida por meio de um artifício qualquer, e a meu ver isso é menosprezar a riqueza da vida. Até porque, se existisse um segredo para a felicidade, com certeza desprezaríamos uma série de outras experiências igualmente interessantes e prazerosas para o nosso desenvolvimento e amadurecimento. Então, se eu pudesse deixar um conselho sobre isso, seria: não busque um “segredo” ou uma “verdade absoluta”. Mantenha o coração aberto para o mundo como ele realmente é.

 

PA: E de onde nasce a angústia que nos faz buscar a felicidade?

CB: A angústia tem uma natureza muito ampla, por isso vou me limitar a falar da que chamamos de existencial. Esta surge justamente a partir do momento que ganhamos lucidez sobre a nossa autonomia, liberdade e consequente necessidade de fazer escolhas o tempo inteiro. A cada segundo nossa vida poderia ser infinitamente outra. Se nossas escolhas fossem diferentes, poderíamos agora mesmo estar em lugares diferentes, vestidos de outra forma e com sentimentos novos. Mas a vida de carne e osso nos impõe abrir mão desse possível infinito existencial. E aí nasce a angústia, a partir dessa condição que nos obriga jogar fora tantas possibilidades em troca de uma solução, uma escolha. Estamos eternamente condenados a tomar decisões dentro da nossa liberdade.

Pensando no ambiente da família e na relação entre pais e filhos, as inúmeras variáveis nos obrigam a educar para a tomada de decisões e para a autonomia. Por isso é tão necessário prepará-los também para lidar com a angústia, e assim prevenir que no futuro eles tomem ações prejudiciais, como terceirizar a vida, entregando suas escolhas na mão de alguém ou de algo.

 

PA: E como podemos nos preparar para lidar com a angústia?

CB: Formando desde cedo, intelectual e emocionalmente, o hábito de decidir para lidar com as opções que se apresentam ao longo da vida, sabendo atribuir valor a cada uma e identificando quais valem mais a pena. Lamentavelmente, a sociedade de hoje tem essa falha de desenvolver pouco a formação do espírito decisório.

 

PA: Esses estímulos de busca por uma felicidade constante são uma prova de que a sociedade está com medo de sentir tristeza, mesmo que este seja um sentimento tão comum e, por vezes, necessário para nossa formação e amadurecimento?

CB: No final das contas, hoje realmente estamos falando muito sobre o que é uma vida feliz. Porém, ao mesmo tempo, essa reflexão tem sido empobrecida por protocolos frágeis e práticas humanas. Hoje, por exemplo, atrelamos muito nossa felicidade a certas atividades de consumo que nos condenam a um estado de bem-estar temporário. Sempre que compramos algo, quase no mesmo instante passamos a desejar outra coisa. Você nunca vai encontrar uma publicidade que diga algo como: “Agora que comprou o produto dos seus sonhos, vá refletir sobre o que ele significa para a sua vida e divirta-se, pois você já tem tudo de que precisa”. Definitivamente não me lembro de ter visto algo assim em lugar algum.

Portanto, é evidente que na vida somos tentados a viver na busca por encher um saco sem fundo. E se somos muito pouco educados para lidar com o desejo, então estamos propensos a não saber lidar com os altos e baixos da alegria também.

 

PA: Essa questão do consumo se reflete de que forma nas relações humanas?

CB: Esse processo cíclico de desejo e consumo se reproduz no afeto. O verbo “ficar”, muito usado pelos jovens quando querem dizer que beijaram alguém, é a tradução do consumo para as relações humanas. Um celular novo é sempre mais interessante do que um modelo antigo. Da mesma forma, uma companhia nova pode ser, aos olhos dessa razão social, mais interessante do que estar com alguém durante vinte anos.

Precisamos despertar para o pensamento de que o inédito pode estar no mesmo lugar. Traduzindo em uma frase: uma experiência nova pode estar dentro de um celular antigo, e um novo amor pode estar sempre dentro da mesma pessoa.

 

PA: Essa lógica de mercado nas relações humanas impede a existência de um amor perfeito?

CB: Acho que a palavra perfeição para um afeto é um tanto abusiva. O amor é o que é. Por trás das relações afetivas muitas vezes criamos um certo receito de assumir a própria fragilidade, e isso se traduz como negação dos próprios afetos, inclinações e dependências afetivas. Assim, acabamos criando uma espécie de teatro onde aquilo que sentimos é escondido em nome de uma certa postura “blasé” nos relacionamentos. O amor está justamente nas relações em que você fica à vontade para revelar seus medos e fraquezas e o outro não se aproveita disso para revelar sua tirania.

 

PA: Como traduzir essa questão do amor e das fraquezas nas relações, por exemplo, entre pais e filhos, que de certa forma pressupõe obrigatoriamente um tipo de poder?

CB: Se você alguma vez já se sentiu contagiado com a alegria de outro e também já ficou mal pela sua tristeza, então com certeza amou alguém numa forma mais pura. E a relação entre pais e filhos segue muito essa lógica.

Muitos pensadores irão defender a tese de que o ser humano vive na mais estrita animalidade, que somos apenas mais um animal em busca do próprio prazer. Porém, ainda acredito que existe na nossa natureza uma transcendência da animalidade em uma perspectiva de afetividade mais pura, sem nenhum interesse pessoal como motor.

Vislumbro a possibilidade do ser humano ter uma preocupação genuína com os outros em muitos momentos. Até porque, veja bem, se não fosse assim, a ética seria só baseada no medo. Podemos dizer que a ética se concentra justamente nessa diferença entre o comportamento egocêntrico e solitário e na partilha de uma convivência com o outro, pressupondo sempre uma consideração pelas pessoas. Se não fosse assim, não haveria diferença entre um canalha e um não canalha, pois todos seríamos canalhas.

 

PA: Agora a pergunta para encerrarmos: que mensagem o senhor gostaria de transmitir para nossos leitores, principalmente os jovens, que devem estar cheios de questionamentos e reflexões após a nossa entrevista? Que mundo o aguarda?

CB: Outro dia eu participei de um encenação teatral de uma obra chamada “Cartas a um Jovem Poeta”. Terminada a apresentação, um espectador me perguntou se o personagem tinha conseguido realizar o sonho de ser poeta. A resposta é não. Então surgiu o questionamento se aquele jovem deveria ter sido advertido antes de nutrir tantos sonhos sobre o seu futuro. Imediatamente alguém levantou a mão e disse: “Eu sou engenheiro, se eu contasse tudo de difícil que tem na profissão, não haveria mais ninguém para projetar coisas”. Então seria o caso de afirmar que se formos honestos demais com nossos jovens estaremos deixando-os encurralados e sem escolha? Cheguei até a pensar que se um bebê na barriga da mãe tivesse a chance de perguntar como é o mundo, muito provavelmente ele nunca iria querer sair de lá.

Eu prefiro assumir uma postura contrária, e dizer que a vida é o que ela é. Meu conselho: a vida é feita de momentos entristecedores, mas também é feita de felicidade e alegria. E todos esses sentimentos são resultado de uma vida em sociedade, cheia de gente igual e diferente de nós.

Mas apesar de todas as dificuldades, que por vezes nos fazem perder a esperança, há uma série de bons indicadores que devem sempre nos incentivar a seguir em frente. E eu quero acreditar que há um desejo da maioria da sociedade de sempre evoluir e seguir em frente.

De qualquer forma, não podemos nunca nos esquecer de dar aos nossos jovens uma formação moral sólida, para que eles possam refletir sobre a justiça dos seus atos por meio da lucidez, e não pelo medo. Só assim continuaremos caminhando rumo a uma sociedade mais justa e feliz.

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Mundo Virtual

 
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Pequenos a salvo na

Quando os pequenos têm uma boa orientação, são capazes de fazer ótimas pesquisas e enriquecer os trabalhos pedidos pelo professor

WEB

A internet pode ser uma mão na roda para a vida escolar de qualquer um. Quando os pequenos têm uma boa orientação, são capazes de fazer ótimas pesquisas e enriquecer os trabalhos pedidos pelo professor. Mas os riscos que existem na web também são muitos. Infelizmente, notícias de adolescentes atacados por pedófilos depois de ser aliciados na rede surgem com frequência. Segundo especialistas, o segredo para proteger crianças e jovens de ameaças como essa, e também do ciberbullying, do sexting e até dos danos causados pelo uso exagerado da rede, é manter o diálogo e alertar sobre os riscos. Veja, a seguir, como fazer isso.

 

Ciberbullying

O que é?

Semelhante ao bullying que acontece na escola, trata-se de uma violência virtual, em que vídeos, fotos ou comentários são usados para atacar e intimidar uma pessoa.

 

Como orientar seu filho

Diga-lhe para contar a você se sofrer ataques desse tipo. Fale para não responder às ofensas, mas grave as mensagens humilhantes, caso ele receba alguma. Explique que todos devem refletir antes de publicar algo que possa magoar alguém.

 

Sexting

O que é?

Prática de mandar fotos sem roupa para outra pessoa. Normalmente, os jovens fazem isso pelo próprio celular.

 

Como orientar seu filho

Alerte que ninguém tem controle sobre os conteúdos compartilhados pela internet, ainda que a foto tenha sido mandada de celular para celular.

Deixe claro que mesmo a pessoa por quem estamos apaixonados pode um dia querer se vingar por algum motivo e publicar as imagens íntimas. Isso acontece muito por aí.

 

Aliciamento

O que é?

Ato de manter conversas pela internet com crianças ou adolescentes para convencê-los a mostrar o corpo pela webcam ou a ir a encontros.

 

Como orientar seu filho

Proíba-o de usar a webcam em conversas com estranhos. Diga-lhe para jamais responder a mensagens e convites de desconhecidos, mesmo que a pessoa pareça ter a mesma idade.

Ensine-o a desconfiar de elogios excessivos e peça para ele lhe contar se alguém sugerir um encontro.

 

Uso excessivo

O que é?

Passar horas em frente ao computador ou no celular sem querer desligar. Deixar de dormir para continuar conectado, jogar por horas o mesmo jogo e abandonar o contato real com outras crianças.

 

Como orientar seu filho

Incentive-o a experimentar outras formas de diversão. Se for possível, inscreva-o num curso de música ou em aulas de esportes. Proponha passeios a lugares onde não exista conexão com a internet. O celular deve ficar em casa.

10 Mandamentos 
Da internet segura para toda a família

  1. A internet é um espaço público, como as praças. Não são só os seus amigos que navegam nela!

  2. A web não é uma terra sem lei. Todos têm direitos e deveres na hora de usá-la.

  3. O que você compartilha com os amigos se torna público, mais cedo ou mais tarde - não importa a rede social usada.

  4. Evite divulgar o endereço de lugares que frequenta, onde mora ou estuda. Muito cuidado com o check-in, o dispositivo que avisa aos usuários de uma rede social onde você acaba de chegar. Isso pode ser um prato cheio para pessoas mal-intencionadas.

  5. Se tiver algo de íntimo para dizer a alguém e quiser guardar segredo, use o telefone ou fale pessoalmente.

  6. O que importa é a qualidade e não a quantidade de amigos. Não adicione estranhos à sua rede.

  7. Crie uma senha forte, mesclando números, letras e outros caracteres. E não revele o código a ninguém. No caso das crianças, só os pais devem saber a senha.

  8. Evite publicar fotos que mostrem muito o corpo e em poses sensuais.

  9. Caso seja desrespeitado na rede, bloqueie o contato.

  10. Se visualizar conteúdos violentos ou racistas, denuncie no portal da SaferNet, associação que tem projetos para ajudar a tornar a internet mais segura. Basta entrar em www.safernet.org.br e clicar no quadro “denunciar crimes na web”.

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Fernanda Maranha

A importância das vacinas

Entenda como as vacinas funcionam para não cair em notícias falsas

Em 2017, a cobertura de vacinação de crianças no Brasil atingiu o menor índice em 16 anos, de acordo com dados do Ministério da Saúde. Enquanto a meta de imunização ideal, estipulada pelo próprio Ministério, é acima de 95%, a taxa de cobertura de algumas vacinas – como a tetra viral, que protege contra sarampo, caxumba, rubéola e catapora – chegou a apenas 70,7%. Com a queda da cobertura vacinal, aumenta-se o risco de doenças eliminadas voltarem a circular.

Ana Paula Sayuri Sato, professora do departamento de epidemiologia da Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP), explica que as vacinas têm função de proteção individual e coletiva. “A pessoa que é vacinada não vai adoecer e, consequentemente, não vai transmitir a doença. Se uma região tiver alta cobertura vacinal, as pessoas que não podem se vacinar ficam protegidas por conta da chamada proteção de rebanho”, diz. Uma vez que a imunização cai, a proteção coletiva é bastante prejudicada.

A especialista cita o ressurgimento do sarampo no Brasil como uma consequência da baixa cobertura de vacinação. Em setembro de 2016, o Brasil recebeu da Organização Mundial da Saúde (OMS) o certificado de eliminação do sarampo. Foi o primeiro país da América Latina a conseguir este certificado e isso aconteceu porque o último caso da doença registrado no país foi em 2015. Desde 2000, não havia registro de nenhum caso autóctone, ou seja, contraído dentro do Brasil, apenas ocorrências trazidas de fora.

Em 2018, com o aumento do fluxo de migrantes refugiados da Venezuela para a região Norte do Brasil, o país viveu novamente um surto de sarampo, potencializado pela queda da cobertura vacinal da doença. Até outubro de 2018, mais de 2.000 casos da doença tinham sido registrados no Brasil, quase todos na região Norte, especialmente nos estados do Amazonas e Roraima.

“Os surtos estão relacionados à importação, já que o genótipo do vírus que está circulando no Brasil é o mesmo que circula na Venezuela, país que enfrenta um surto da doença desde 2017”, afirma o Ministério da Saúde.

 

Por que houve queda na vacinação?

 

Não se sabe ainda quais são todos os motivos que levaram à queda na imunização no Brasil, mas um deles é a falsa percepção da população de que não é necessário vacinar as crianças depois que não se registram mais casos de doenças. Outra causa também é a disseminação de informações incorretas de que as vacinas fazem mal.

A falsa noção da população de que as vacinas não protegem, ou que são perigosas, é constantemente reforçada nas chamadas “fake news” (termo em inglês para “notícias falsas"). De acordo com Ivan Paganotti, jornalista, doutor em ciências da comunicação pela USP e idealizador do projeto “Vaza, Falsiane” – curso online sobre notícias falsas – as fake news são “relatos que imitam a estrutura e formato jornalístico, para viralizar nas redes sociais. São comprovadamente falsas e feitas com a intenção de enganar”, explica.

 Paganotti explica que teóricos da área elencam duas grandes motivações para a criação das notícias falsas. A primeira é financeira, pois as informações absurdas e exageradas, quando publicadas em sites, trazem mais audiência, gerando receita para as páginas que as veiculam. Outra é a motivação ideológica, que tem como propósito “destruir a reputação de inimigos, fortalecer um candidato ou uma proposta política”, revela o jornalista.

 O pesquisador em comunicação salienta ainda um terceiro motivo para a criação de  notícias falsas: a de “trollar”, gíria da internet que significa brincar ou sacanear. Ou seja, as fake news têm o intuito apenas de confundir e atrapalhar quem tenta se informar.

Nos Estados Unidos existe uma forte corrente ideológica contra o discurso científico que integra, entre outros, o movimento antivacina. Esse movimento busca negar a eficácia das vacinas e mostrar que os riscos são superiores às vantagens, tudo isso por meio de informações erradas. “Algumas fake news relacionadas às vacinas citam pesquisas que já foram refutadas, misturam informações não verdadeiras e relatos inventados de efeitos colaterais das vacinas”, conta Paganotti.

No Brasil, o pesquisador diz que não há provas de um movimento ideológico antivacinação tão forte e organizado quanto nos EUA. Ele acredita que a motivação para a criação e circulação dessas notícias falsas no Brasil se dá pelo intuito de “trollar”. “A intenção é gerar o caos, semear a desconfiança nos veículos de comunicação tradicional e tirar o crédito das fontes seguras, fazendo com que as pessoas achem que tudo é mentira”, afirma o jornalista.

As notícias falsas têm poder de viralização muito maior do que as verdadeiras, conta o pesquisador. Além do conteúdo exagerado, com tom de novidade, que chama a atenção do leitor, Paganotti cita o fator familiaridade, que traz mais confiança na veracidade da informação. Afinal, os conteúdos são compartilhados em círculos de influência, como grupos de amigos e familiares.

Para se tornarem mais verossímeis, as fake news incluem em sua estrutura a contestação às mídias tradicionais com discursos como: “A mídia tradicional não quer que você saiba disso” ou “O governo está tentando mentir para você”. “Isso fortalece a impressão de que esse é o relato verdadeiro, porque já traz consigo a refutação”, explica Paganotti.

O contexto temporal em que as fake news são pulverizadas também é considerado. Seus criadores aproveitam o período de histeria e a falta de informações oficiais para soltar as notícias falsas. Pôde-se verificar esse fenômeno no Brasil, no começo de 2018, quando houve um surto de febre amarela em diversos estados, provocando uma corrida aos postos de saúde, com filas gigantescas em busca da vacina. Em meio ao desespero, as notícias falsas alertavam para o perigo das reações da imunização. Como consequência, as vacinas para febre amarela acabaram encalhando, pouco tempo depois, nos postos de saúde.

 

Como funcionam as vacinas?

 

Para não cair nas notícias falsas, é preciso entender como as vacinas funcionam. Elas operam em interação com o sistema de defesa do corpo humano, também chamado “sistema imunológico”, que nos protege de vírus, bactérias e outros micro-organismos. Quando um desses invasores entra em contato com o nosso corpo, o sistema imunológico gera uma série de sinais que resulta na produção de anticorpos – proteínas de defesa específicas para cada invasor.

A vacina é constituída do antígeno de uma determinada doença. Sendo que o antígeno é, simplesmente, uma substância que provoca a formação de anticorpos quando introduzida no organismo de uma pessoa. “Quando o corpo tem contato com um antígeno pela primeira vez, a resposta dele é a produção de anticorpos. Por ser a primeira vez, essa produção demora e pode ser pouco potente, levando alguns dias para combater a doença”, explica a especialista Ana Paula Sayuri Sato, professora da Faculdade de Saúde Pública da USP.

Por outro lado, se a pessoa já tiver tido o contato com o antígeno, por meio da vacina, por exemplo, seu corpo vai ter o anticorpo específico na memória e o sistema imunológico agirá de forma mais rápida. "A vacina, portanto, é um treino para o corpo”, diz a especialista.

Ana Paula salienta que a segurança das vacinas é muito testada antes de elas serem liberadas para uso público. “Depois de identificar o antígeno e fazer a vacina, há uma fase pré-clínica em que ela é testada em laboratório, com animais. Depois, para verificar a segurança em humanos, há ainda mais três fases clínicas, nas quais são feitos testes, primeiramente, em 20 ou 30 pessoas. O número aumenta em cada fase, chegando a centenas de pessoas”. Só depois que a vacina passa por todos esses testes e obtém certificações de órgãos reguladores, é que ela pode ser disponibilizada para a população.

O objetivo da imunização por meios das vacinas é erradicar doenças. Um exemplo bem sucedido é a varíola, considerada erradicada pela OMS em 1980. Desde então, não foi registrado mais nenhum caso em todo o mundo. A poliomielite também está em vias de erradicação. Já foi eliminada da maior parte do planeta, mas dois países ainda têm o vírus selvagem da doença circulando: Afeganistão e Paquistão.

A primeira vacina

 

A primeira vacina – quando ela ainda não era chamada dessa forma – foi descoberta e administrada por Edward Jenner, no século XVIII. Na época havia um surto muito grande de varíola e muitas pessoas morriam em decorrência da doença.

Jenner observou que as leiteiras, que trabalhavam com as vacas, pegavam uma forma mais branda da varíola – que era a bovina – e não pegavam a humana, responsável por muitas mortes.

A partir disso, o pesquisador pegou a secreção da pústula – ferida típica da varíola – de uma leiteira e introduziu em um menino de 8 anos, chamado James Pitz, em 1796. Esta foi a primeira vacina. O método foi reproduzido em outras pessoas na época, e percebia-se que elas não ficavam doentes.

No século seguinte, com o conhecimento da biologia, Louis Pasteur atenuou a bactéria da cólera, das galinhas, e deu o nome de vacina – originário de vacas – em homenagem a Edward Jenner.

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Manuais

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Manual e diretrizes para diagnóstico e tratamento da Covid-19

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Paulo Pio

 
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Planejamento financeiro para pais e filhos

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Especialista em dependência química pelo GREA/USP e agente multiplicador na prevenção ao uso de drogas pelo DIPE/DENARC. Conselheiro para lideranças comunitárias na prevenção ao uso de drogas pelo SUPERA/UNIFESP, diretor e idealizador do projeto “Pais Atentos: filhos felizes, alunos saudáveis” e bacharel em propaganda e marketing. E-mail: paulopio@projetocapitalhumano.com.br

Planejamento financeiro deveria ser ensinado desde cedo para as nossas crianças. Eis algumas razões para efetivarmos este aprendizado tão salutar o quanto antes em nossos lares:

Protege a família de riscos financeiros: Todos estão sujeitos a imprevistos como doenças, acidentes, ações judiciais, falecimentos e outros.

Permite que você saia do vermelho: A maior prioridade para quem têm dívidas é quitá-las o quanto antes. Existem pessoas que vivem a vida acumulando débitos difíceis de saldar. Despesas com cartões de crédito, cheque especial ou empréstimos tornam-se, muitas vezes, impagáveis se não houver um bom planejamento.

Garante uma aposentadoria tranquila: Sem um bom projeto não é possível saber o quanto você vai ter de acumular antes de se aposentar. Lembre-se: A expectativa de vida da população mundial tem aumentado ano a ano, portanto, você ainda vai gastar muito dinheiro no decorrer da sua vida até chegar à tão sonhada aposentadoria.

Esta prática nada tem a ver com ficar muito rico, nem com a profissão escolhida. Um professor ou um empresário quando se encontram com dificuldades em gerir o seu capital e se desestabilizam financeiramente, geralmente, transferem suas ansiedades e angústias para a família. Os sintomas mais frequentes são: “Irritabilidade e depressão”. Muitos lares não resistem à pressão emocional imposta pela falta ou má administração dos bens materiais e terminam por desfazer-se.

Para manter-se em equilíbrio e no caminho da sua realização pessoal, o homem deve estar bem em três aspectos da sua vida: “Espiritual, Familiar e Financeiro”. Quando passamos por problemas materiais parece que está pirâmide desmorona. A sabedoria popular nos ensina que: ”Quando a necessidade entra pela porta, a felicidade sai pela janela”.

 

Ajudando a planejar o futuro dos filhos

O grande psiquiatra Içami Tiba em seu livro: “Adolescentes: Quem ama, educa!”, nos ensina que logo que a criança aprenda a fazer as suas contas, já está na hora dos pais incluírem a “mesada” em suas vidas. Ensina também regras de conduta e como administrar com sabedoria este importante recurso de aprendizado. Desde cedo, portanto, devemos ensinar aos filhos as regras do planejamento financeiro.

Outra sugestão interessante é compartilhar pequenas decisões do orçamento doméstico com seu filho. Despesas do início do ano letivo são um bom momento para se exemplificar esta prática. Procure fazer uma pesquisa de preço com eles. Itens mais caros como estojo, mochilas e livros devem ser discutidos e avaliados com critério. Nem sempre o mais custoso é o melhor. 

Estas pequenas práticas do dia a dia podem evitar transtornos futuros, como o de crianças que não aceitam ouvir um “não” e querem sempre o melhor independente do preço. É o hábito saudável da economia semeado no lar.  Pais e filhos devem se esforçar para descobrir os seus talentos. Em geral, os filhos escolhem sua profissão na adolescência e com honrosas exceções ainda não se encontram preparados para uma decisão de tal envergadura.

É responsabilidade dos pais orientar, apontar caminhos, dar sugestões, analisar as preferências e aptidões dos seus protegidos para que eles tenham uma maior chance de acertos na sua escolha. Lembre-se, esta opção poderá ter consequências para toda a vida. A palavra final sempre será do protagonista e principal interessado, ou seja, do filho. No entanto, os pais na convivência diária com os seus tutelados devem ajudá-los nessa descoberta. Esta linha tênue entre “a vocação do filho e a vontade do pai” irá exigir treinamento, esforço, conhecimento do mercado e muito amor. O que não podemos é nos acomodar, este treinamento deve começar na infância e estender-se até a sua juventude.

Planejamento financeiro é uma das bases para uma boa vida em família. Conheço pessoas felizes e realizadas em suas profissões e que vivem com poucos recursos materiais. Com parcos recursos conseguem idealizar os seus sonhos, seguem a sua vocação, investem no talento dos filhos, enfim, fazem girar a “roda da vida e da prosperidade” e cumprem o seu papel na sociedade. Conheço também pessoas muito ricas que vivem endividadas. Ganham muito dinheiro, no entanto, gastam muito também. Possuem casas de lazer na praia e na montanha. E nunca encontram tempo para refazer as suas energias por lá. Alegam que trabalham muito.  Não tenho a pretensão de apontar caminhos. A busca da felicidade é individual. O muito para uns é pouco para outros. Pense nisso!

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